Não é o nódulo, embora benigno, com 3 cms que tenho no pescoço que me faz sentir este atrofio no falar e no respirar. É uma bola de raiva e de qualquer coisa muito pior que isso que deixei instalar-se aqui.
Há quase quatro meses perdi a minha querida e última e resistente avó. Foram-na levando, pedaço a pedaço, até ao último grito dos seus pulmões. Já aceitei que seja assim, é a última instância desta fase da vida aqui, mas morro de saudades dela, do que ela sempre representou e representa para mim - o afecto, o conforto, o ponto focal de um conjunto de pessoas que se amam e unem como ela ensinou.
Agora, a notícia de uma luta injusta - o meu pai versus um qualquer cancro no pâncreas. Outro já houve que me levou o meu avô paterno ... e agora esta incapacidade de se lutar contra mais este.
Sinto-me a rasgar e com vontade de rasgar. Com as mãos, com os pés ... com os dentes. Não percebo. Não aceito. 59 anos e obrigado a entregar-se. Não devia de ser assim ... devia pelo menos ter a oportunidade de combater, de lutar, de uma luz ao fundo do túnel. Não é o caso. Encomendaram-lhe um castigo sem retorno. Esperar pelo apagão. Não aceito.
Não sei o que se diz ou do que se fala, agora, depois do princípio do fim. Não consigo sentir-me delicada com as pessoas ou com a vida. Estou zangada. Sinto só raiva por enquanto.
Triste. Olhar o meu filho e ver a tristeza que sente, dói tanto que vai alimentando a minha raiva.
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